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História do Chocolate – Parte IV

Artigo de Lau Verrengia em 23/09/2009 – 8:00 PMSeja o primeiro a comentar!

A revolução do chocolate


A saúde em primeiro lugar

Apesar dos enormes tratados que há trezentos anos elogiavam os benefícios do chocolate para a saúde, só no fim do século XIX o “néctar dos índios”, se livrou da reputação demoníaca que, na França, o destinava exclusivamente aos adultos mais instruídos.
Adeus aos amores, delícias e festas! A partir de então, o chocolate das belas marquesas, passou a reanimar septuagenários e convalescentes, porque, “como água da fonte da juventude, essa bebida rejuvenesce os que a consomem habitualmente” (A. Grimod de La Reynière, 1810).
O “leite dos velhotes” (Caylusm 1720), foi reabilitado, graças aos boticários que eliminaram das receitas as especiarias excitantes e passaram a vendê-lo puro, com a denominação de “chocolate da saúde”.
A revolução industrial contribuiu imensamente para a mudança da mentalidade em relação ao chocolate: mantendo o prestígeo, porém, já acessível ao povo, o divino chocolate desceu do pedestal para se tornar uma bebida comum, objeto de comercialização.
As várias técnicas avançadas permitiram aumentar suas variedades, e consequentemente, a clientela visada.
A patente registrada em 1826, pelo holandês Coenrad Johannes van Houten, de um chocolate sem gordura e mais digerível, tinha como principal objetivo a saúde do consumidor, independentemente da idade. O aspecto nutritivo e saudável do chocolate em pó tornou-se rapidamente um argumento forte para a venda, além de oferecer uma ótima oportunidade de lucro para os grandes fabricantes.
Com a produção industrial, que permitiu diminuir radicalmente o preço, o chocolate passou a ser um meio de combater as bebidas alcóolicas, um hábito das classes operárias.
Cinquenta anos depois, o “alimento dos deuses” transpôs uma nova etapa: o chocolate ao leite pretendia contribuir para a dieta infantil, satisfazendo de maneira agradável as necessidades de cálcio das crianças.
Essa invenção apareceu na Suiça, em Vevey, onde o jovem Daniel Peter, que se casara com Fanny Cailler, filha de um fabricante de chocolate, quis desenvolver um tablete de chocolate usando o leite, fonte de renda helvética. Ele conseguiu o intento em 1875, ao usar leite em pó.


Preparado cuidadosamente, o chocolate é um alimento salutar e agradável.
(Brillat-Savarin, Fisiologia do gosto, 1825)

Veja também ››

  1. História do Chocolate – Parte III
  2. História do Chocolate – Parte I
  3. História do Chocolate – Parte II

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