História do Chocolate – Parte I

Elixir dos deuses e dos heróis
A origem do chocolate faz parte dos enigmas da história. Sabe-se que as bebidas achocolatadas já existiam desde o século VI a.C., comprovado pela história pela descoberta em Belize, de um pote com vestígios de chocolate.
Segundo a lenda do Popol Vuh, livro sagrado dos maias, a primeira bebida a base de cacau tem origem divina, pois teria sido elaborada por um casal de ancestrais místicos para o casamento sobrenatural do neto, o herói Hun Hunahpu, com uma virgem do Xibalba. Os senhores do Xibalba, o inferno maia, decapitaram Hun Hunahpu e penduraram sua cabeça numa árvore morta. Depois disso, miraculosamente, a árvore deu frutos.
De acordo com o texto do Popol Vuh, eram cabaças, mas segundo outras fontes eram frutos do cacaueiro. A virgem teria falado com o herói morto na árvore, que cuspiu em sua mão, fecundando-a magicamente. A partir disso, a bebida à base de cacau, servida quase sempre em cabaças, passou a fazer parte das negociações preliminares ao casamento. Os noivos e os pais brindavam o enlace bebendo chokola’h. Os pequenos maias eram purificados, numa cerimônia parecida ao batismo católico, com um galho molhado na água virgem de uma fonte, onde eram jogadas flores e cacau. Como fruto do nascido das profundezas do mundo subterrâneo e sinal de renascimento, o cacau acompanhava os mortos em sua viagem para o além: uma grande quantidade de vasos funerários gravados com o símbolo do cacau era colocada nas sepulturas dos antigos reis maias.
“Perfume de cacau, dançando próximo ao tambor, espalhando seu eflúvio em profusão…”
(Antologia náuatle, poeta asteca anônimo)
Fonte: Larousse do Chocolate, Pierre Hermé











